16 de dez. de 2010
23 de nov. de 2010
10 de nov. de 2010
6 de nov. de 2010
Puno - Copacabana (Bolivia) 155 kms
Copacabana - Oruro 586 Kms
Total 15837 Kms
3 de nov. de 2010
Nazca - Puquio 155 km
Puquio - Cuzco 475 Km
30 de out. de 2010
27 de out. de 2010
Quito - Cuenca 480 kms
Cuenca - Piura (Peru) 580 Kms
Piura - Trujillo 590 Kms
Total 12700 Kms
24 de out. de 2010
20 de out. de 2010
17 de out. de 2010
14 de out. de 2010
9 de out. de 2010
7 de out. de 2010
5 de out. de 2010
1 de out. de 2010
29 de set. de 2010
16 de set. de 2010
8 de set. de 2010
Tour América do Sul
Saída Proposta: 26 de Setembro de 2010
Países a Percorrer: Brasil, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela.
Motos a serem Utilizadas:
Yamaha XT 660R/2010
Yamaha XT 660R/2006
Roteiro Proposto:
Cruz Alta - Corumbá
Corumbá - Santa Cruz de La Sierra (estrada trem da morte)
Santa Cruz de La - Cochabamba
Cochabamba - Caracollo
Caracollo - La Paz
La Paz - Coroico - La Paz (estrada da morte descer)
La Paz - Puno
Puno - Cusco
Cusco - Puquio
Puquio - Nazca (sobre voo linhas de nazca)
Nazca - San Antonio
San Antonio - Huaraz (subir a cordilhera branca e negra)
Huaraz - Trujillo
Trujillo - Macará (ruinas incas)
Macará - Azogues
Azogues - Quito ( linha do ecuador e circuito vulcões)
Quito - Pasto
Pasto - Medellin (circuito do café)
Medellín - Cartagena (banho no caribe)
Cartagena - Paraguachon
Paraguachon - Mérida (teleférico)
Mérida - Puerto La Cruz
Puerto La Cruz - Ciudad Bolivar (tour para visitar Salto Angel na grande Savana)
Ciudad Bolívar - Boa Vista
Boa Vista - Manaus
Manaus - Porto Velho (ir pela BR 319)
Porto Velho - Vilhena
Vilhena - Cuiabá
Cuiabá - Campo Grande
Campo Grande - Cruz Alta
16922 / 44 dias
26 de ago. de 2010
Com o GPS indicando o caminho para Goiânia, partimos em direção ao Rally dos Sertões, as 15hs, com temperatura ambiente fria. O seis cilindros Scania e mais o pé de Rafaelo, logo deixamos o Rio Grande do Sul e Santa Catarina para traz. Jantamos no estado do Paraná. O possante dos Trairões é valente, não reclama nunca, atravessou a madrugada e no amanhecer já estávamos com grande quilometragem no estado de São Paulo. Onde deu início a grandes retas que rasgavam o país no meio; No estado de Goiás, iniciou o serrado e o calor sufocante com umidade em torno de 10%, com uma secura em tom amarelada generalizada, A noite estacionamos o possante em um posto de combustível próximo ao Shooping Flanboyant de Goiás. Acordamos cedo, tomamos mate e café na cozinha do possante, aos poucos os amigos foram acordando. As 17hs nos reunimos para ir ver a competição nesta linda arena com telão, som e posição privilegiada, por Rafaelo ter escolhido a arquibancada 2. Pela manhã havíamos passeado entre carros, motos e caminhões; eu estava junto da companhia de Rafaelo onde nos orientava entre os pilotos quem acelerava forte, quem andava no Dakar. Quando anoiteceu estávamos, os nove amigos e mais a irmã do Rafaelo, a doutora Jibse, que também adora competições e já havia junto com nós, em outra oportunidade participado da abertura do Dakar em Buenos Aires – Argentina. Próximo das 22hs eu e mais alguns abandonamos a competição e fomos ao possante preparar um grande churrasco. Por volta das 3:30hs da madrugada o possante foi conduzido por Chico a cidade de Hidrolândia, com mapa/GPS e dois navegadores e a essencial planilha da prova, conseguida com dificuldade. Rodávamos quilômetro a quilômetro, metro a metro, entre mata burros e porteiras, estrada precária e desvios onde um motorista sem espírito de rally não perseguiria; nosso piloto do possante foi severamente vigiado pelo motivo de ter bebido além da conta; ao tentar olhar para o lado, era severamente repreendido. Seguimos por trinta quilômetros por este caminho que não podia ser chamado de estrada. Chegamos em um local onde podemos estacionar e poder observar o rally em sua primeira etapa. Alguns acordaram, outros não dormiram, no meio do serrado tomamos mate, café e alguns iniciaram na cerveja e como na noite anterior muitos fogos e rojões para marcarmos presença. Motos rasgavam o sertão provocando uma sensação incrível ao avistar na grande reta e próximo a nós uma forte freada para dobrar a direita e prosseguir em uma reta em declive com saltos até chegarem em um mato produzindo um forte barulho pelo ronco de seus motores. Na seqüência foram os quadricíclos, carros e camionetas onde estava bem na frente da curva “protegido” pelo pequeno palanque de um mata burro. Retornamos a Hidrolândia quando foi liberada a estrada e foi decidido seguirmos viagem para Unaí – MG; passando pelo Distrito Federal, pela periferia de Brasília. Passamos por imensas plantações de cebola, tudo irrigado e com várias empresas deste setor. Encontramos vilas com casas precárias em meio a uma poeira infernal; longas retas nos levava cada vez mais próximos a Unaí. O possante foi estacionado em um posto no centro da cidade; onde tomamos banho e fizemos um assado de galeto; Acordamos e com um desjejum com doce de leite, bolachas, Nescau, mate e café, iniciaram a manhã. Mas as 9hs iniciou os trabalhos hidráulicos e dele cerveja; assim foi até o meio dia e neste intervalo, Eu havia passado do ponto e antes de fazer fiasco parei com a parte hidráulica. Fomos comer uma comida mineira por sinal deliciosa. Por volta das 14hs fomos ao parque de exposições de Unaí, esperar a chegada dos veículos. Diferente do Dakar, pudemos falar com os pilotos e sentir o calor de suas máquinas, algumas avariadas pela dureza das estradas do sertão; pilotos cansados e jogados ao chão e muitos veículos recebiam cuidados pela equipe de manutenção.Sempre na companhia de Rafaelo nos explicava quem era e quais eram os melhores do rally. Nos chamando atenção em um ou outro detalhe das equipes.Saímos do parque para irmos ao posto tomar banho e prosseguir caminho para a próxima etapa do rally. Novamente são uns 30 quilômetros do centro de Unaí; por estrada de terra onde vamos novamente acampar para observar as máquinas e pilotos desbravando em alta velocidade o serrado. Novamente com a planilha dos pilotos e Rafaelo conduzindo o possante dos Trairões, agora com dois navegadores; rodávamos por onde o rally cruzaria. Se a estrada do dia anterior era precária, esta após um mata burro, virou um caminho de roça e o bicho pegou de verdade. Neste momento, sim, sentimos o verdadeiro gosto do rally. No meio da escuridão e mata fechada, o possante dos Trairões com seu piloto indomável, prosseguia neste caminho. Na cabine tínhamos a luz da lanterna para ler a planilha e lá fora o desconhecido. Chegamos em um ponto de bifurcação, que na frente somente um trator de esteira poderia cruzar. Nos restava o desvio a direita em curva e com forte elevação. Qualquer outro ônibus ou motorista, desistiria tendo de ser resgatado por um trator. Bule desceu para observar a estrada e balançava a cabeça falando, impossível passar. Nosso possante, roncava em meio a escuridão; Rafaelo como um piloto de moto que se integra a estrutura da máquina o fez com o possante: “dá, vô mete”. Mesmo com a roda dianteira esquerda, sujeita pelo peso desbarrancar e tombar o veículo; juntamente com o barranco do lado direito pressionando a lateral; Rafaelo fez estremecer o serrado e conseguindo ultrapassar este impossível obstáculo. Não saímos ilesos, espinhos e galhos rasgaram a pintura, como garras de um animal selvagem em uma feroz luta pela sobrevivência; foi avariado um bagageiro pelo confronto com o barranco; gemendo e gritando o possante foi carinhosamente manobrado por Rafaelo até um ponto onde havia uma porteira e uma espécie de sede de uma fazenda. Estacionamos o possante e ligamos o gerador e colocamos fogo na churrasqueira onde o Chico se encarregava de assar e Isaias de fazer uma macarronada; logicamente soltamos varias bombinhas para novamente festejarmos o rally e a conquista de estarmos no rally. Quando amanheceu verificamos nossa posição e resolvemos trocar de acampamento, onde após uma curva de noventa graus, nós teríamos o resto da estrada desbloqueada. O calor e a poeira do serrado penetrava até a alma; em meio a tudo isto escutamos pelo radio da equipe que um piloto havia acidentado de moto e quebrado a clavícula. Mais tarde passou uma camionete com o piloto deitado em uma maca na caçamba da camionete. Em outro momento um quadricículo não venceu a curva, indo de encontro ao barranco; onde a galera, após auxiliá-lo gritava: - “dele pau, acelera louco e muitas risadas. Despedimos do rally um pouco antecipados e partimos para Unaí, onde almoçamos, tomamos banho e foi confirmado que possivelmente encontraríamos o parabrisa que quebrou em Brasília. Rafaelo Marchioro pilotando o possante dos Trairões do Asfalto rasgava a grande avenida central de Brasília e sem o pára-brisa onde vários integrantes tiravam foto sem nem uma distorção ou sujeira, era clic e flaches para todos os lados o possante desfilava de cabeça erguida, por ter sobrevivido a dureza que enfrentara nos sertões; estávamos no coração do Distrito Federal, passamos pela ponte do lago Paranoá, centro político, congresso e catedral, ministérios e por último o monumento a JK. Nesta postura altiva; passamos por um imenso mastro e ao alto tremulava a gigante bandeira de nosso país, compatível por seu território continental, assim a máquina mais pesada dos Trairões do Asfalto, motorizada por motor Scania de seis canecos e turbinado, marchava com toda a sua cavalaria, deixando pouco a pouco Brasília para trás. Com um golpe de sorte, Rafaelo mesmo tendo de fazer duzentos quilômetros conseguimos o pára-brisa que foi quebrado. Aproveitamos enquanto faziam o reparo para limpar e organizar nosso possante. Novamente estamos na estrada no sentido para Goiânia, aproximadamente uns cem quilômetros de Goiânia, estacionamos o possante e jantamos. Pela manhã seguimos ao resort de Rio Quente. Fizemos um pacote na entrada do parque com direito a refeição e tudo mais. Nos guiava e explicava como tudo funcionava, por já ter visitado anteriormente. Na hora de irmos embora uma grande fila, mas andava rápido por ter vários caixas, nos despedimos deste encantador lugar. A luta diária era tentar dormir rápido ao deitar, pela conseqüência da sinfonia de roncos. No restante do percurso, continuamos com a mesma alegria e harmonia; e conseqüentemente estávamos indo em direção ao sul e rumo ao frio, nos confirmava que estava certo o caminho. Em fim chegamos em nossas casas e nossas bagagens estavam repletas de experiências, vivencia, emoções e o privilegio de poder estar entre amigos tão especiais, prontos para servir e ajudar. Tenho certeza que o ano que vem algum de nós estará acelerando no Rally dos Sertões.
João Guilherme
20 de jul. de 2010

